terça-feira, outubro 05, 2004

Características da amostra de 17 edições electrónicas da região de Aveiro seleccionadas para estudo:
- 53% apresentam resumos da versão em papel;
- 24 % reproduzem a edição impressa;
- 29% fazem actualizações em permanência;
- 94% tem algum tipo de serviços interactivos;
- Apenas um caso de registo prévio para aceder a conteúdos;
- Nenhum jornal de acesso pago.
Num universo de cerca de 130 publicações portuguesas com edições electrónicas em 1999, quase metade eram da imprensa regional (60) num universo de 600 publicações registadas.
O “Setúbal na rede” (1) reclama para si o estatuto de primeiro jornal exclusivamente digital português. Fundado em 5 de Janeiro de 1998, começou por ser um semanário mas após três anos passou a ter actualização em permanência e a assumir-se como “O Portal do Distrito”.
A Ondavídeo (2) organizou em Dezembro de 1997 o primeiro debate em Portugal via Internet que teve a presença dos candidatos à Câmara de Aveiro nas eleições autárquicas. A empresa lançaria um jornal regional digital que foi pioneiro na apresentação de conteúdos multimédia.
Em Setembro de 2004 estavam disponíveis para consulta na Internet 24 publicações da região de Aveiro com conteúdos jornalísticos, sendo 18 jornais com versões em papel, 5 jornais exclusivamente electrónicos e 1 portal de jornais regionais.
Deste conjunto, seleccionámos para uma observação mais atenta um grupo de 17 das diversas categorias.
(1) Setúbal na rede (www.setubalnarede.pt)
(2) Ondavideo: www.ondavideo.com
O primeiro parágrafo das conclusões deste estudo (dica de Jornalismo & Comunicação) serve de aperitivo:"The main conclusion of this study is that Flemish online news media do not fully explore the potential of the Internet yet. Although there are some good examples of news sites that incorporate certain facilities effectively, no single site manages to take advantage of the whole range of opportunities the Internet offers in terms of feedback, customization, immediacy of content, hypertext, online storage of information, multimedia, etc".
"News Production in Flanders: How Flemish Online Journalists Perceive and Explore the Internet's Potential" (ler estudo).
As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) tornaram-se indissociáveis do dia-a-dia nas sociedades modernas com a informatização galopante dos processos da vida comunitária.
Os avanços da telemática revolucionaram, também, o ciclo produtivo tradicional das empresas jornalísticas, muitas das quais já operam em circuitos totalmente digitais. Um novo suporte, a Web, afirmou-se, entretanto, não só como mais um meio de difusão a par do papel, da televisão e rádio mas, para muitos visionários, como o meio que prevalecerá num futuro multimédia e wireless.
Em Portugal, as inovações chegaram mais tardiamente aos orgãos de informação regionais, dada a rudimentar estrutura e falta de condições económicas e humanas da grande maioria. Duas décadas após a atribuição dos primeiros incentivos públicos para a modernização tecnológica, a imprensa de proximidade escrita e falada conseguiu recuperar terreno.
Sendo das regiões com maior dinâmica económica e social do País, Aveiro suporta actualmente vários projectos de comunicação social com presença na Internet, embora nem todos saibam explorar, devidamente, o seu potencial quase ilimitado. Se é certo que a tecnologia abriu janelas de oportunidades para a produção e difusão de conteúdos, a falta de retorno económico obriga, por enquanto, a refrear os investimentos técnicos e humanos nos suportes on line.
Até que ponto estes orgãos, em geral com menores recursos, conseguem aproveitar o impulso tecnológico para inovar nos conteúdos, ganhar mais leitores e gerar novas receitas ? Que alterações se geram nos processos de produção informativa para os novos suportes que permitem uma actualização quase em permanência ? Sendo a interactividade uma das maiores virtudes dos meios electrónicos, está a ser devidamente aproveitada? Estas são algumas das questões para as quais procuramos respostas.