quinta-feira, abril 28, 2005

Um post que nos leva para acesos debates muito familiares na classe. "Em que estado de alma se encontram as redacções? Que (des)motivação? "Quid novi"? Que sinais de novidade?", questiona-se Manuel Pinto.
É triste, mas é verdade. Quando estava a dar os primeiros passos na comunicação social, numa entrevista para um lugar de trabalho, foi-me dito pelo empregador que ser jornalista era uma profissão importante. Concordei, pensando ingenuamente que a pessoa em causa se estivesse a referir ao exercício de uma actividade vital na sociedade: garantir o direito à informação. Mas não. Num desassombro de sinceridade, explicou melhor o seu ponto de vista: "Conhecemos as pessoas influentes, por exemplo é mais fácil conseguir um licenciamento na Câmara". Fiquei petrificado. Passados muitos anos, vejo sem surpresa as concessões que em certos orgãos de comunicação social, especialmente nos ditos de proximidade, os jornalistas são obrigados, ou deixam-se obrigar, para certas concessões éticas que, desconfio, passam ao lado dos leitores e ouvintes. Carentes de receitas, não é de estranhar, assim, que certos conteúdos de jornais e rádios sejam produzidos alinhados com campanhas promocionais e afins. Sem identificação enquanto tal. Não acho que os leitores se deixam enganar sempre. Por isso, quem perde mais são os orgãos de comunicação social que pisam o risco e perdem aquilo que é o seu esteio: a credibilidade.
Bertrand Pecquerie, o director da maior organização de responsáveis por jornais diários - o Forum Mundial de Editores, que representa mais de 18 mil publicações - apresentou em Madrid, o relatório anual sobre tendências nas redacções para 2005 (seguir dica do ATRIUM).
O Correio da Murtosa, publicado quinzenalmente naquele concelho, começou por ser um projecto própria da jornalista Alexandra Farela Ramos. A directora e proprietária abriu agora a sociedade a outras figuras locais para dar novo fôlego à publicação, um dos dois jornais da Murtosa.

segunda-feira, abril 18, 2005

O Clube de Jornalistas destaca no seu site o estudo feito para a Carnegie Corporation onde o magnata Rupert Murdoch foi buscar algumas ideias para promover o conceito de "revolução digital" num encontro com chefes de redacção dos Estados Unidos.
"There's a dramatic revolution taking place in the news business today and it isn't about TV anchor changes, scandals at storied newspapers or embedded reporters. The future course of the news, including the basic assumptions about how we consume news and information and make decisions in a democratic society are being altered by technology-savvy young people no longer wedded to traditional news outlets or even accessing news in traditional ways" (ler relatório).

sexta-feira, abril 15, 2005

Este artigo aparece assim (!) na edição on line do jornal Público, que agora é de acesso pago. O sistema ainda tem de ser muito afinado, se não quiserem perder leitores.
"Limitação dos mandatosf Primeiro-ministro e presidentes dos governos regionais podem ficar, no máximo, 12 anos no cargo f Presidentes das câmaras municipais e presidentes das juntas de freguesia têm como limite o exercício de três mandatos sucessivos, não podendo ser reeleitos no quadriénio imediatamente seguinte ao termo do terceiro mandato consecutivo f Os titulares de cargos que tenham, à entrada em vigor da lei, ultrapassado três mandatos, podem candidatar-se a um único mandato consecutivo Nomeações na administração pública f Apenas os altos cargos de direcção superior cessam automaticamente com a mudança de Governo f A regra não se aplica às secretarias-gerais, inspecções-gerais ou organismos equiparados, bem como a outros serviços onde vigorem regras especiais de inamovibilidade ou cujas atribuições tenham natureza predominantemente técnica, assim reconhecida nos respectivos diplomas orgânicos ou estatutários f Os cargos de direcção intermédia ficam afastados deste regime de cessação, sendo eliminado o regime de simples nomeação introduzido pelos governos anteriores f O Governo defende que o provimento desses lugares será feito através de um "procedimento adequado de concurso simplificado de selecção que, sem descurar a necessidade de imprimir celeridade no recrutamento, garantirá a transparência e a independência dessas nomeações" f Aos dirigentes passam a ser exigidos cursos adequados de formação f É criada a Carta de Missão, que "configura um compromisso de gestão dos dirigentes nomeados, relevante para a avaliação do modo de exercício das funções" f Abre-se a possibilidade de, em caso de concursos desertos ou sem candidatos que preencham os requisitos, recrutar chefias intermédias fora da administração O requerimento Teresa Venda questiona Fundo Florestal Teresa Venda, deputada independente eleita pelo PS, entregou ontem um requerimento em que questiona a aplicação das receitas do Fundo Florestal Permanente (FFP) provenientes da ecotaxa sobre os produtos petrolíferos e energéticos".

sexta-feira, abril 08, 2005

Dica do Travessias Digitais: James Glen Stovall, professor na Universidade de Alabama, escreveu um livro, "Web Journalism", que, embora simples e despretensioso, pode revelar-se muito útil, quer a professores, quer a alunos que se interessem sobre o jornalismo na Web. Complementado, por exemplo, com a leitura de "Nós, os Média", de Dan Gillmor, "Web Journalism" é uma boa porta de entrada neste mundo em ebulição do jornalismo no ciberespaço (ler mais).

quinta-feira, abril 07, 2005

Parabéns! A "Intima Fracção" faz-se ouvir pelo éter, e mais recentemente no ciberespaço, há 21 anos. É curioso que tenha reencontrado o prazer de ouvir rádio, que parece irremediavelmente perdido nas ondas hertzianas, através da Internet. Francisco Amaral é um herói resistente.

Dica do Ponto Media: "What's the future of the news business? This report to Carnegie Corporation of New York offers some provocative ideas.There's a dramatic revolution taking place in the news business today and it isn't about TV anchor changes, scandals at storied newspapers or embedded reporters. The future course of the news, including the basic assumptions about how we consume news and information and make decisions in a democratic society are being altered by technology-savvy young people no longer wedded to traditional news outlets or even accessing news in traditional ways (ler artigo).

terça-feira, abril 05, 2005

Vital Moreira, que é cronista do Público, iniciou o livro de reclamações da edição para subscritores do jornal: "Não cumprindo os serviços anunciados na assinatura online, o Público não disponibiliza hoje a edição local do Centro (só aparecem as edições de Lisboa e do Porto). Ora a diferença entre serviços gratuitos e serviços pagos é que estes devem ser disponibilizados. Os contratos são para se cumprir..." (ler post no Causa Nossa).
Pacheco Pereira sobre o Público de acesso restrito pela Net: "Sou a favor que os serviços que custam a outrem produzir sejam pagos por aqueles que os consomem. Nada tenho por isso contra o pagamento da consulta do Público em linha: o Público custa dinheiro a fazer, devo pagar por ele. No entanto, o jornal deve pensar noutro valor, valor económico ponderável e real, que é o da sua autoridade pela influência (não coincidem necessariamente, mas relacionam-se). Essa é fortemente afectada pela diminuição de acesso, mas acima de tudo pela impossibilidade da citação e da ligação. O Público irá desaparecer das ligações quotidianas da blogosfera e de outro tipo de páginas da rede e ficará apenas dependente do mecanismo de citação da comunicação social tradicional. Ou seja, perde a rede, local de influência, perde valor em sectores cada vez mais significativos da opinião e que têm um efeito multiplicador único para um jornal que se pretende “de referência” (Ver post no Abrupto).

domingo, abril 03, 2005

José Vítor Malheiros, director do PÚBLICO.PT, considera a restrição do acesso da versão impressa do jornal pela Internet a assinante "um passo para melhor" : "O PÚBLICO nunca acreditou na publicidade como sustentáculo único do negócio e criou um modelo onde esta aparecia como uma perna de um tripé constituído também pelas assinaturas e pelo fornecimento de informação a outras entidades (fornecimento de notícia a outros sites, etc). Até agora, tudo fizemos para potenciar ao máximo as outras fontes de rendimento, evitando assim o recurso a assinaturas. Acontece que, no actual estádio de desenvolvimento do mercado publicitário on-line português, isso não se revelou possível" (ler artigo).
Dica do blog Jornalismo e Comunicação: "La información en Internet permite nuevos formatos, como los gráficos interactivos o las entrevistas digitales. Formatos que ya se utilizan, pero estoy convencido de que llegarán otros nuevos donde lo que tú pretendes conseguir es que la gente capte la información que les cuentas del mejor modo posible. SI es combinando medios multimedia pues así, o de formas nuevas que irán surgiendo los próximos meses" (Entrevista
de Ismael Nafría, subdirector de conteúdos do grupo Prisa, publicada no site Periodistadigital)

sábado, abril 02, 2005

A brincadeira do "1 de Abril" do vetusto Soberania do Povo, este ano, foi uma orgia de imaginação com o exagero de manchete e duas páginas no interior ! "Águeda vai ter uma lista de consenso para a Câmara Municipal, incluindo militantes do PSD, PS e CDS/PP. A CDU fica de fora" É um romance...

sexta-feira, abril 01, 2005

A subscrição continua a ser a principal forma de pagamento dos conteúdos on line. No entanto, o pagamento único começa a ganhar adeptos entre os consumidores norte-americanos.
Os consumidores norte-americanos continuam a preferir a subscrição de serviços e conteúdos on line, mas o pagamento único já ganhou terreno com uma fatia de 15,4 por cento em 2004 devido em grande parte ao download de músicas (ler artigo OBERCOM).
Os consumidores norte-americanos gastaram cerca de 1.8 mil milhões de dólares em conteúdos on line, em 2004, de acordo com o relatório Online Paid Content da Online Publishers Association em colaboração com a comScore. O gasto dos consumidores norte-americanos com conteúdos on line atingiu em 2004 o valor mais elevado de sempre: 1.8 mil milhões de dólares, de acordo com o mais recente relatório da OPA/comScore. Uma variação que se traduz num crescimento de 13,7 por cento comparando com 2003 (ler artigo OBERCOM).
De acordo com o estudo Bareme Internet 2004 da Marktest, as notícias são os temas mais consultados na Internet.
Em 2004, as notícias são referidas como os temas mais consultados pelos residentes no Continente com 15 e mais anos que utilizam a Internet; 58.9% destes indivíduos afirma consultar notícias on line (ler informação da Marktest).
Já está à venda o novo livro de Ramón Salaverría, professor da Universidade de Navarra (Pamplona). Intitulado "Redacción Periodística en Internet", o livro trata o "Impacto das Ferramentas Digitais na Redacção", as "Técnicas de Redacção Ciberjornalística" e os "Géneros Ciberjornalísticos. Segundo o autor, "trata-se de um manual em que se pretende oferecer uma introdução prática à escrita em publicações digitais" (dica Jornalismo e Comunicação).
O"jornalista multimedia" é uma das mais interessantes ficções mediáticas surgidas nos últimos anos. A ideia soa a fresco, a tecnológico, a moderno. Na verdade, soa a económico. Mas o que é, exactamente, o jornalista multimedia, com aspas ou sem elas? (ler continuação do artigo de Miguel Gaspar, no DN).